Spiga

Bazar do blog "Hoje Vou Assim Off"


Texto divulgação

A designer Ana Carolina Soares criou o blog de moda Hoje Vou Assim Off como paródia do blog de Cris Guerra, o Hoje Vou Assim.

"Cris se fotografa mostrando roupas grifadas. Eu também me fotografo, mas exibo looks montados em pontas-de-estoque e em liquidações", conta.

Depois de bazares virtuais com amigas blogueiras, Ana resolveu juntá-las ao vivo e em cores no Bazar Hoje Vou Assim Off. Foram selecionadas peças de roupas novas e seminovas de marcas como Cavalera e Fause Haten, com preços a partir de R$ 20. Também participarão grifes de Minas Gerais, São Paulo e Rio, em um ambiente descontraído com música e bate-papo.

"Seria inicialmente em uma casa de Santa Teresa, mas a procura foi tão grande que transferimos para um local maior. Vai dar pra se vestir bem gastando pouco", comenta Ana.

O bazar será neste sábado (28/03), das 14 às 21h, na Casa de Cultura Hombu, localizada na Avenida Mem de Sá, 33, na Lapa, centro do Rio. O valor da entrada é uma lata de leite em pó ou roupas para serem doadas a instituições de caridade.

link do blog:www.hojevouassimoff.blogspot.com

Quem se lembra das vítimas do derramamento de óleo?

Quase quatro anos depois do derramamento de óleo diesel, no bairro de Porto das Caixas, em Itaboraí, provocado pelo descarrilamento de um trem da Ferrovia Centro Atlântica S.A. (FCA), subsidiária da Vale, os moradores do local foram intimados para perícia médica. Eles ainda brigam na justiça para receber indenizações que compensem os danos provocados à saúde.

Sempre que chove na região, os vestígios de óleo escondidos sob o cimento doado pela empresa, voltam à superfície e provocam o mau cheiro. O odor não é o único problema, como explica o coordenador da secretaria de saúde e meio ambiente do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindpetro-RJ), Brayer Grudka Lira.

“Em casos de contato do óleo com o solo, toda a terra deve ser retirada. Jogar cimento em cima não resolve. O óleo permanece ali e as pessoas continuam expostas à intoxicação. Os derivados do petróleo podem possuir benzeno em sua fórmula, essa substância é cancerígena. Além disso, os moradores de Porto das Caixas vivem o risco de contrair doenças respiratórias e cardíacas ”, explicou.

A presidente da Associação de Moradores do Porto das Caixas vítimas do derramamento de óleo da Ferrovia Centro Atlântica, Maria Aparecida Silva e Castro, responsável pelo processo, contou que 106 famílias aguardam a sentença judicial. Ela, que também alega apresentar problemas de saúde, recusou-se a participar da perícia na última quinta-feira por não concordar com a decisão da justiça de suspender a ordem de pagamento de indenização, conquistada na última audiência.

Em novembro de 2005, o juiz da 1ª Vara Civil de Itaboraí antecipou parcialmente a sentença tutelar e determinou que a FCA arcasse com o tratamento de saúde das pessoas residentes na área atingida, comprovadamente integrantes da Associação e que tivessem perdido ou diminuído a capacidade de trabalho. A empresa deveria pagar provisoriamente um salário mínimo para cada vítima e, em caso de descumprimento, uma multa de R$ 5 mil diários. Mas, em maio de 2006, a instituição recorreu na 12ª Vara Cívil do Rio de Janeiro e conseguiu suspender a decisão.

A empresa FCA informou que tomou todas as providências, de acordo com a legislação, desde o início do caso. Ressaltou, que na época do acidente coletou amostras de água em diversos pontos da região indicados pelos órgãos ambientais e que no início de 2008 a Feema emitiu um laudo definitivo encerrando o monitoramento por não haver mais riscos ambientais. Ainda de acordo com a empresa, todas as exigências firmadas nos Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) vem sendo cupridas e que todas as ações da empresa são feitas com transparência.

João Buracão é sensação!

Família Panisset pede desculpas ao boneco
Por: Fernanda Pereira

Depois da decepção de não conhecer o João Buracão, maior celebridade do país na última semana, e do pesadelo de levar três beijos seguidos do apelido "bonequinha" da prefeita de São Gonçalo Aparecida Panisset, alguma diversão eu tinha que tirar da coletiva de imprensa realizada em seu gabinete na última sexta-feira. Qualquer criança no meu lugar teria chorado, diante daquele cabelo vermelho, da sobrancelha pintada e da blusa listrada(com todas cores). Eu mesma, já ultrapassando a segunda década de vida, só não chorei porque a minha geração foi acostumada com o Bozo.

O motivo da reunião sentou-se bem ao lado da Aparecida: o secretário municipal de saúde e irmão da prefeita, Márcio Panisset. Não exatamente ele, mas suas atitudes na última quarta-feira, diante de sua própria casa, no bairro do Gradim, em São Gonçalo. Os dois pretendiam explicar de forma cordial, a razão que o fez parar na 73ª DP (Neves), depois de se envolver em uma confusão com a equipe de reportagem do jornal "Extra". Afinal de contas, o caso teve repercussão nacional e fez até São Gonçalo entrar para o mapa do JN (a edição de quinta-feira comentou o caso).

Para quem não sabe, provavelmente porque estava isolado em alguma ilha deserta por aí, o fotógrafo Fabiano Rocha, acusa Márcio de tê-lo agredido, além de se apropriar de seu material, incluindo o famoso boneco João Buracão. Esse, eu tenho certeza, não preciso explicar quem é. Mas apenas para contextualizá-lo, vou contar sua história.

Um dia uma equipe do jornal foi fazer uma matéria sobre buracos e ao chegar ao local, deparou-se com essa figura carismática, sentada ingenuamente praticando seu esporte predileto: a pescaria em buracos da cidade. Desde então, ele foi promovido à personagem oficial de todas as matérias com esse tema. O público fascinado pelo seu poder político, começou a enviar cartas pedindo sua visita.

Centenas de correspondências começaram a chegar à redação do jornal, que passou a publicar a lista dos lugares que seriam beneficiados pela ilustre presença de Buracão. Antes mesmo de sua chegada, os buracos eram tapados. Algumas autoridades preocupadas tentaram inclusive pegar carona na popularidade de João. Até o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, dedicou um precioso tempo de sua agenda para recebê-lo. Que cena!

Mas, o Secretário Municipal de Saúde de São Gonçalo, Márcio Panisset, preferiu dar outro tipo de tratamento ao pobre militante defensor dos fracos e oprimidos e inimigo dos buracos entupidos (podre essa riminha!). Ele é acusado de "sequestrar" e decapitar o pobre do João. Por quê?

Bem, o texto enviado pela assessoria da prefeitura, convidando a imprensa para a coletiva (release), dizia que "ao ouvir um burburinho no portão da casa, onde mora, e perceber que lá havia um boneco, o qual desconhecia como personagem de um quadro de um dos maiores jornais do Brasil, o jornal 'Extra' (oh Jabá!), o secretário de saúde, realmente agiu de forma inesperada, pensando em se tratar de chacota com o seu nome e de sua família. Tal ação não teve intenção de silenciar a imprensa, pois não é do feitio do secretário esse tipo de atitude, mas quando descobriu que se tratava de jornalistas, o mal já estava feito".

O texto é desmentido pelo próprio durante a coletiva, quando ele diz: "Eu gostaria de pedir desculpas ao fotógrafo Fabiano Rocha, que eu conheço faz tempo e sei que é uma pessoa maravilhosa", entregando que sabia se tratar de uma equipe de reportagem. E acrescenta: "Eu conheço a Carol desde a época da minha campanha eleitoral", referindo-se a Anna Carolina Torres, jornalista envolvida na confusão (que só possui 20 e poucos anos e não 30 como os jornais disseram - só pra constar, coitada!).

O evento que o texto dizia ter por objetivo "acabar com o constrangimento e o mal entendido" e convidava "o personagem 'João Buracão' e sua equipe de jornalistas" foi sem dúvidas um dos momentos mais constrangedores para a família Panisset. A começar pelo bolo que Buracão deu nos dois. Ocupado com seu interminável trabalho pela cidade, João ignorou o convite. Mas o jornal tratou de enviar um debochado jornalista, Camilo Coelho, que figura!

Quando lhe perguntaram por que ele não trouxe o boneco, ele exclamou: "Ele está trabalhando!" E o mais incrível, todos se referiam a João o tempo todo, como se fosse uma pessoa. E a prefeita até disse: "Ele vai ter realmente trabalho em São Gonçalo, vocês vão achar muitos buracos", disparou antes de tentar justificar com a desculpa da falta de verbas.

Depois de um blá blá blá interminável da Aparecida Panisset, que chegou a pedir desculpas à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas não a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) - será que ela confundiu? - finalmente chegamos às explicações. Uma aula para mim, que farei monografia sobre gerenciamento de crise de imagem. Claro que, como um exemplo a NUNCA ser seguido.

Primeiro pela exposição gratuita da prefeita, já que apesar de irmã, não tinha nada a ver com o caso e que, talvez por medo de passar a palavra ao Márcio, ocupou quase todo o tempo da coletiva falando. Grande parte da história foi contada por ela, que nem presenciou o ocorrido. Em segundo lugar, pela falta de unidade, parecendo que os dois se quer conversaram antes de se exporem à furiosa imprensa.

Pra começar, o que o secretário fazia antes das cinco horas da tarde em casa, que não estava trabalhando? A prefeita contou que ele estava em uma reunião sobre assuntos de farmácia. O vídeo exibido no site do jornal "Extra", feito pela repórter multimídia Carol (que nunca larga sua digital), mostra Márcio de bermuda. Trajes nem um pouco apropriados, não?

Continuando... ela conta que mora com a mãe de 83 anos e que a idosa sofre, inclusive, de problemas de audição. Que quando precisa falar com a mãe pelo telefone, grita. Segundo ela, a mamãe Panisset estava em casa e poderia ter morrido com aquela confusão, pois foi a primeira a ouvir o barulho. "Mas ela não é surda?", pergunta o Camilo Coelho, repórter do Extra. A prefeita respondeu que o som deve ter sido "ensurdecedor"( é pra rir?). "Mas buracão é mudo", finaliza o jornalista.

Tentando acabar com o mal estar que se estabeleceu, eu perguntei ao secretário se ele também tinha ouvido o barulho. Mas quem me respondeu foi a prefeita: "Não". O Camilo intervem mais uma vez: "Não foi pra ele a pergunta?". E Márcio concorda: "Deixa eu falar, porque era eu que estava lá" (se eu fosse a Panisset, pedia pra ir ao banheiro e ia pra casa). Ele diz que ouviu e define o barulho como vozes (o texto da assessoria chamava de burburinhos, lembra?).

Márcio relata o acontecimento: "Ao chegar ao portão, a confusão já estava armada. Meus vizinhos disseram que os jornalistas tentaram pregar o boneco no portão da minha casa. Eu não vi. Todos nos conhecem e são nossos amigos, por isso se revoltaram com essa atitude. Eu me dirigi ao Fabiano e sugeri que a matéria fosse feita em outro lugar, já que na minha rua, não há buracos (pra lá não faltou verba). Cheguei a convidá-los para vir outro dia na prefeitura. Em nenhum momento houve contato físico".

"Não houve contato físico e o fotógrafo não te entregou o equipamento, como ele foi parar em sua posse, já que no vídeo você aparece entregando a máquina para a equipe?", eu perguntei. Ele alegou que seus vizinhos pegaram o equipamento e quando viu pegou de volta para entregar, mas o Fabiano se recusou a receber.

O Camilo perguntou por que ele "sequestrou" o boneco, mostrando a última foto tirada, onde João aparece na rua e não no portão da prefeita, como os vizinhos alegam. "Porque ele estava na passagem, eu só queria passar. Então levei ele pra um lugar reservado "(dentro da casa dele).

Em relação aos "capangas", que o jornal apontou como "agressores" de Buracão, Márcio chamou de amigos e afirmou não andar com seguranças. E o melhor da história: "O único que anda comigo é Gabriel. Quando saio, ele sai comigo; quando volto pra casa, ele volta comigo e quando vou dormir, ele dorme comigo", declarou o secretário. Acalmem-se, ele se refere ao anjo Gabriel.

Aliás, todo o tempo eles se apegam à religiosidade e à imagem de família cristã para conquistar o perdão dos envolvidos, o que inclui toda a imprensa, a qual se sensibiliza sempre que um colega é impedido de fazer seu trabalho. Digo mais, acho que toda a população se sente agredida, uma vez que ainda tememos o velho fantasma da censura, que assombrou os anos de ditadura.

Por fim, Márcio encerra pedindo perdão ("porque a bíblia não fala em desculpas, fala em perdão", palavras dele). E a prefeita faz o mesmo, acrescentando: "Só acho que também merecemos desculpas da sociedade, porque nossa casa é o descanso do guerreiro" (Mas o secretário ainda estava em horário de expediente).

Atenção às frases finais da prefeita: "Parabéns ao jornal 'Extra' pela criatividade e ao 'Tião Buracão' (ainda erra o nome do cara), pelo trabalho. Gostaríamos de recebê-lo em breve na prefeitura".

Camilo: "Tem que consultar a agenda, né prefeita?".
Panisset: "Sim, tenho que consultar a minha agenda".
Camilo: "Não! A agenda do Buracão, ele é muito ocupado!"